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Amy Winehouse e o fanatismo dos israelofóbicos

Não satisfeitos em ridicularizar judeus vivos, agora estão indo atrás dos mortos. Vamos observar a profanação da estátua de Amy Winehouse em Camden Town, em Londres. Algum marginal cobriu o colar com a Estrela de Davi da estátua com um adesivo da Palestina. Quando você pensava que os antissemitas woke não podiam ser mais repugnantes, eles vão e profanam a imagem de um dos maiores ícones da cultura moderna da Grã-Bretanha. E por uma razão simples, assustadora e repugnante — porque Amy era judia.

Houve muitos atos grosseiros de ódio aos judeus no Reino Unido desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Cartazes de crianças israelenses sequestradas foram rabiscados com bigodes de Hitler. A palavra “Gaza” foi pichada do lado de fora de uma biblioteca do Holocausto. Judeus sofreram um tsunami de “incidentes de ódio”. Mas algo no assédio racial póstumo de Amy parece especialmente atroz. É o fanatismo do ato. Para mim, é a materialização de que há pessoas em Londres tão tomadas pelo ódio aos judeus que não conseguem passar por uma estátua de uma cantora que morreu há 13 anos sem apagar furiosamente seus símbolos judeus.

A violação de Amy Winehouse foi um ato de flagrante intolerância racial. E tem ecos sinistros de um passado mais sombrio, quando instituições e símbolos judaicos — sinagogas, lojas de propriedade judaica, lápides judaicas — eram frequentemente atacados por turbas odiosas. Sim, é bom que a arma nesse caso tenha sido apenas um adesivo destacável, fácil de remover, em vez de pedras ou fogo. Mas o fato de que isso está acontecendo de novo, o fato de estarmos testemunhando um retorno à intolerância fervorosa em relação a manifestações visíveis do judaísmo, deveria nos deixar verdadeiramente petrificados.

Estátua de Amy Winehouse em Camden Town, em Londres | Foto: Montagem Revista Oeste/Shutterstock/Reprodução/Skynews

A ofensiva contra Amy, uma judia, confirma que a linha entre o antissionismo e o antissemitismo se tornou tão tênue que é quase imperceptível. O idiota que colocou aquele adesivo sem dúvida achou que estava sendo pró-Palestina quando, na verdade, estava sendo antijudeu. O racista provavelmente pensa que é antirracista. Como todo o escândalo defensivo da classe ativista sobre seu “antissionismo” está muito distante do antissemitismo, são os judeus do cotidiano que estão levando a pior por causa da histeria israelofóbica que essas pessoas têm incitado desde 7 de outubro.

Aliás, bem antes de a falecida Winehouse ter sua Estrela de Davi escondida, muitos judeus britânicos tinham começado a esconder seu judaísmo. A Campanha Contra o Antissemitismo revelou que 69% dos judeus da Inglaterra afirmam estar menos propensos a expor “sinais visíveis de judaísmo” agora. Alunos da Jewish Free School, em Londres, receberam permissão — por “questões de segurança” — para tirar o blazer e a gravata do uniforme durante o trajeto de ida e volta da escola. Alguns universitários judeus pararam de usar quipá depois de serem criticados pelos esquerdistas do campus. Explique: se o antissionismo e o antissemitismo não têm nada em comum, por que suas consequências são tão preocupantemente semelhantes?

O fato de até mesmo Amy Winehouse poder ser envolvida neste momento insano confirma que todos os judeus estão expostos sob o regime do chamado antissionismo. Ela não era uma sionista devota. Nem era especialmente religiosa. A cantora declarou certa vez que, para ela, o judaísmo era uma questão familiar, não algo sobre “acender velas e recitar uma brachá”. Ela era uma judia secular clássica de Londres. E, mesmo assim, era judia. Amy insistia em usar sua Estrela de Davi. E então, aos olhos da multidão identitária para quem Israel é um Estado especialmente perverso, e os judeus, um povo especialmente privilegiado, ela é suspeita. Ela é problemática. E é um alvo legítimo, mesmo depois de morta.

A esquerda obcecada por Israel está tentando desesperadamente se distanciar da profanação da estátua de Winehouse. “Isso, sim, é antissemitismo”, estão dizendo. Aposto que não estariam afirmando isso se fosse uma estátua de uma celebridade totalmente sionista que tivesse sido profanada. Porque uma das conquistas mais sinistras da esquerda obcecada por Israel foi dividir os judeus britânicos em judeus bons e judeus maus, judeus dignos e judeus indignos. Os bons são aqueles que renunciam publicamente ao sionismo. Que concordam em marchar com os politicamente corretos para sinalizar seu ódio pelo Estado judeu. Os maus são aqueles que apoiam Israel. Que se identificam com o sionismo. Eles são rotulados de preconceituosos, racistas, “apoiadores de genocídio”. Quando, em novembro, milhares desses judeus maus marcharam contra o antissemitismo em Londres, foram acusados de marchar “em favor do genocídio”.

Pesquisas revelam que os jovens em particular têm uma tendência a ver os judeus como uma classe “opressora”. Essa ideia repugnante vem diretamente da convicção woke de que a sociedade é composta de “opressores” e “oprimidos”

Essa classificação racista e cruel dos judeus em hierarquias de aceitabilidade é o que alimenta grande parte do antissemitismo atual. Por mais que a esquerda anti-Israel lave as mãos em relação à praga do ódio aos judeus, é sua própria atribuição de valor moral aos judeus, dependendo de eles abraçarem ou rejeitarem o sionismo, que desperta suspeitas sobre os judeus em geral. Afinal, como saber que o judeu com quem estamos interagindo é bom ou mau? Alguém que foi aprovado ou reprovado no novo teste de pureza racial estabelecido pelas elites esquerdistas obcecadas por Israel? Em um clima tão tenso de suspeita em relação aos judeus, não é surpreendente que alguns optem por ser cautelosos em relação a todos. Melhor prevenir do que remediar, não é?

A classificação racista e cruel dos judeus em hierarquias de aceitabilidade é o que alimenta grande parte do antissemitismo atual | Foto: Shutterstock

Para mim, não é nada surpreendente que, em um clima de cautela para com certos judeus — os “sionistas” — que é ativamente estimulado pela classe ativista, a estátua de uma judia seja atacada. “Quero dizer, uma Estrela de Davi no pescoço? Isso não é um pouco sionista? Um pouco de ‘orgulho judeu’ demais? Sob o implacável sistema da política identitária, o bom judeu é o judeu que condena Israel e confessa seu próprio ‘privilégio’, mas aqui existe uma imagem de uma mulher judia manifestando sua identidade judaica? Nojento. Vamos atacar.” É uma linha tênue de fato que separa dividir o povo judeu em categorias de santo e pecador e considerar todos eles um pouco pecaminosos.

A verdade é que o novo antissemitismo é formulado e moldado por crenças inteiramente mainstream, em especial a política identitária. Pesquisas revelam que os jovens em particular têm uma tendência a ver os judeus como uma classe “opressora”. Essa ideia repugnante vem diretamente da convicção woke de que a sociedade é composta de “opressores” e “oprimidos”, e que o segundo grupo merece nossa piedade, enquanto os outros, que claramente incluem você sabe quem, merece apenas nosso desprezo.

A verdade é: quando os ancestrais judeus russos e poloneses de Amy Winehouse chegaram à Grã-Bretanha no século 19, eles foram considerados não suficientemente brancos. No entanto, se Amy Winehouse ainda estivesse viva, ela seria vista como “branca demais”. De um povo inferior a um arrogante povo superior, dos Untermenschen aos hiperprivilegiados — o raciocínio por trás do ódio racial aos judeus pode ter mudado ao longo do tempo, mas as consequências dessa desconfiança supremacista em relação a um povo inteiro continuam tão graves quanto antes.


Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast da Spiked, The Brendan O’Neill Show. Seu novo livro, A Heretic’s Manifesto: Essays on the Unsayable, foi publicado em 2023. Brendan está no Instagram: @burntoakboy.

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