Fale Conosco

Notícias

Apoiadora de Lula, Patrícia Lélis é acusada de fraude nos EUA

Justiça diz que a jornalista enganava quem buscava ter visto de residência; vítimas teriam sido fraudadas em US$ 700 mil

A jornalista Patrícia Lélis se tornou ré nos EUA, acusada de ter fingido ser advogada e fraudar quem a procurou em US$ 700 mil. Ela teria enganado pessoas interessadas em tirar o visto de residência no país. Acabou incluída na lista de foragidos do FBI (Federal Bureau of Investigation, a polícia federal norte-americana).

Lélis ganhou notoriedade (leia mais abaix0) a partir de 2016, quando acusou o deputado Marco Feliciano (PL-SP) de estupro –o processo foi arquivado em 2018. Também relatou ter namorado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), mas depois falou que se tratava de um relacionamento de fachada. Por causa desse relacionamento, chegou a ser classificada como “bolsonarista” nas redes sociais. Afirmou em seu perfil no Facebook que fez parte dos “brasileiros hipócritas” que “difamaram” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Relatou que era “cega” e que agora apoia o petista: “Lula seu ladrão, hoje mais do que nunca roubou meu coração”.

Lélis disse estar sendo “procurada” pelo FBI por pegar “documentos de uns norte-americanos safados” que pediram que ela fosse “bode expiatório” contra brasileiros. Segundo a jornalista, as autoridades dos EUA “já sabem exatamente” onde ela está “como exilada política”. Em comunicado (leia a íntegra, em inglês – PDF – 105 kB), a Justiça norte-americana diz que ela é acusada de fraude eletrônica, transações monetárias ilegais e roubo de identidade agravado.

Os supostos crimes teriam ocorrido a partir de 2021. Segundo o texto, Lélis prometia que os vistos seriam emitidos com base no programa EB-5, que proporciona residência permanente legal e possível cidadania a um cidadão estrangeiro que invista “fundos substanciais” em empresas que criem empregos nos Estados Unidos.

Uma das vítimas teria realizado 2 pagamentos que totalizaram US$ 135 mil (cerca de R$ 657 mil). Lélis teria afirmado que o valor seria para um projeto de desenvolvimento imobiliário no Texas que se qualificaria para o programa EB-5.

Em vez disso, o dinheiro da vítima teria ido para a conta bancária pessoal de Lélis”, lê-se no comunicado. “Em vez de investir o dinheiro conforme prometido”, Lélis “supostamente” usou o dinheiro para pagar a entrada de sua casa em Arlington (Texas), realizar reformas da propriedade e “pagar outras despesas pessoais”, como dívidas de cartão de crédito.

A acusação alega que ela convenceu amigos a se passarem por funcionários do fundo de investimento do Texas em ligações e chamadas em vídeo com uma vítima”, completa o texto.

Conforme o comunicado, Lélis enviou a uma das vítimas um documento falso de um tribunal em que a jornalista aparecia como advogada. Ela, diz o texto, “não é uma advogada licenciada” e “também é acusada de ter falsificado formulários de imigração dos EUA, forjado múltiplas assinaturas e criado recibos falsos do projeto de investimento do Texas, todos os quais ela enviou por e-mail para uma vítima”.

Lélis se defendeu em duas publicações no X. Escreveu que podem “sempre” contar com ela “para estar contra o governo norte-americano”. A jornalista afirmou ter “roubado” as provas para mostrar o seu lado da história e garantir sua segurança “E esses documentos já foram entregues ao governo que me garantiu asilo politico”, declarou, sem dizer em que país está.

QUEM É PATRÍCIA LÉLIS

Patrícia Lélis, de 29 anos, tornou-se conhecida em 2016, quando entrou na Justiça contra o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PL-SP) por “crimes de estupro, lesões corporais, sequestro, cárcere privado, ameaça e corrupção de testemunha”. O processo foi arquivado em 2018. Em abril de 2023, a jornalista falou sobre o caso e disse não ter sido a única vítima.

Em 2017, Lélis afirmou ter sido ameaçada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo ela, o congressista disse que iria, entre outras coisas, “acabar com a sua vida”. Na época, ela era militante do PSC (Partido Social Cristão), legenda à qual Eduardo também pertencia.

Embora tenha dito em janeiro de 2019 que namorou Eduardo por quase 4 anos, Lélis afirmou em entrevista posterior, em julho de 2019, que o relacionamento com o deputado era “algo arranjado” e que o “namoro nunca foi real”. O congressista também negou que tivesse se relacionado com a jornalista: “Nunca namorei, beijei, saí ou segurei na mão dessa pessoa”.

Um relatório da Polícia Civil do Distrito Federal, divulgado em 2021, indicou a existência de indícios de crime de denunciação caluniosa cometido pela jornalista contra o deputado. A conclusão do inquérito diz que as supostas mensagens de ameaça enviadas pelo congressista teriam sido simuladas.

No mesmo ano, 2017, Lélis pediu desculpas a Lula “por ter ido às ruas e ter sido a favor de um golpe”. Em seu perfil no Facebook, publicou fotos ao lado do petista.

Copyright
reprodução/Facebook Patrícia Lélis – 10.out.2017

Montagem publicada por Patrícia Lélis em seu perfil no Facebook; nas imagens, ela está ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Lélis concorreu em 2018 ao cargo de deputada federal pelo Pros, mas não foi eleita.

Depois da tentativa fracassada nas urnas, mudou-se para os Estados Unidos.

Em Washington D.C. ela hostilizou o senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) ao encontrá-lo caminhando na rua. “Aqui está andando no meio da rua o homem que destruiu o Brasil, gente”, afirmou a jornalista.

A jornalista se filiou ao PT, mas foi expulsa da legenda em 2021 depois de ter feito uma declaração considerada transfóbica. Em um vídeo publicado nas redes sociais, ela diz que uma mulher trans “mostrou seu pênis a outras mulheres e adolescentes” em um banheiro de Los Angeles (EUA). Depois da repercussão, a jornalista afirmou que as falas foram retiradas de contexto.

Continue lendo
Clique para comentar

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *