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Crítica Lift: Roubo nas Alturas | Kevin Hart e sua aventura irreal

Filmes de roubos mirabolantes existem aos montes e geralmente seguem uma fórmula que funciona muito bem. Por algum motivo, um grupo de ladrões com diferentes habilidades se reune para realizar o maior golpe de suas vidas. Alguém pode estar comprometido com alguém que não deve. Temos uma montagem de preparação, seguida do próprio golpe e uma reviravolta no final. Depois do susto, tudo acaba bem.

Essa fórmula parece batida, mas diverte bastante, pois pode pender mais para o lado da ação, do suspense ou comédia, mas se não tiver um elenco que funcione, pode desabar completamente. Lift: Roubo nas Alturas, produção original da Netflix, segue em uma mistura de ação e comédia e, por um elemento bem específico, quase desanda, mas se segura no seu maior trunfo, que é o seu elenco.

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Um time de ladrões contra terroristas

Lift: Roubo nas Alturas começa mostrando um grupo de pilantras com variadas habilidades tentando realizar um golpe em leilão em Veneza. Liderados por Cyrus Whitaker, o grupo entra em ação enquanto agentes da Interpol observam tudo.

Não demora muito para o grupo dar a volta por cima e conseguir aplicar o seu golpe em um artista digital, realizando o roubo de um NFT. Você provavelmente está se perguntando por que esse filme já nasceu datado desse jeito, e devo dizer que não está errado no seu questionamento.

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Apesar de essa introdução mostrar bem as habilidades do grupo como hackers, pilotos de fuga, arrombadores de cofres e engenheiros, tudo ali parece um produto de um tempo quando o filme começou a ser produzido e NFTs ainda valiam alguma coisa no mundo. Tempos estranhos.

Confesso ter ficado um pouco desconfiado de o longa tentar seguir em um caminho que pesa a mão em tecnologia, mas tratando tudo de um jeito fantasioso demais a ponto de tirar o foco da história, mas, ainda bem, não foi o caso.

Isso porque a trama avança para mostrar que a Interpol está disposta a trabalhar com o grupo de ladrões em troca de seus serviços contra um bilionário que pode financiar células terroristas. O trabalho é tentar roubar meio bilhão de dólares em barras de ouro que estão sendo transportados de avião de Londres para Zurique. E começa a montagem de preparação para o golpe.

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Dinamismo e carisma do elenco salvam o filme

Aqui eu preciso falar do que realmente dá certo e o que quase dá errado em Lift: Roubo nas Alturas. A sequência que mostra toda a preparação do golpe é divertida, mostrando diferentes soluções para que tudo dê certo e dá oportunidade de mostrar mais do elenco de apoio do filme.

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Apesar de poucos terem mais destaque além de poucas falas, os personagens são interessantes e têm uma dinâmica bem interessante. Vincent D’Onofrio (Eco) é uma boa presença de um golpista mais velho, acostumado com disfarces e que serve como uma espécie de voz da razão para Cyrus.

Úrsula Corberó (La Casa de Papel) é Camila, a piloto de fugas do grupo e talvez a personagem do grupo que mais ganha destaque ao longo do filme. Completam o time a coreana Yun Jee Kim, o inglês Viveik Kalra e o americano Billy Magnussen, que é o responsável pelos poucos momentos realmente engraçados do filme.

São personagens que funcionam nos seus papéis dentro da trama e tornam o filme ágil e divertido de se assistir. O mesmo pode ser dito de Gugu Mbatha-Raw (Loki), que interpreta a agente da Interpol que os acompanha por ter um passado com Cyrus. Ainda que seja um papel que depende muito do ator principal, ela consegue se sair bem. O que então nos leva ao pequeno problema de Lift: Roubo nas Alturas.

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Kevin Hart não funciona muito bem no filme. O ator estrelou longas como Central de Inteligência, dois filmes da franquia Jumanji, De Férias da Família e Operação Supletivo e, recentemente, entregou o longa Paternidade, em parceria com a Netflix. Ele tem em seu currículo um filme dramático, Novos Amigos Improváveis, o que garantiu elogios da crítica.

Só que, em Lift: Roubo nas Alturas, ele parece deslocado no filme. Seu personagem, o líder Cyrus, é sério e inspira respeito nos seus companheiros. A impressão que fica é que o papel não trabalha direito as qualidades dele como ator, deixando a sensação de que outra pessoa poderia ter feito um trabalho melhor sem mudar praticamente nada no roteiro.

Considerando que o filme é produzido pelo ator e possivelmente teve o roteiro escrito em torno da ideia de ele ser a grande estrela, não faz muito sentido o seu Cyrus sair do jeito que é. Existia ali a possibilidade de construir um personagem que não parece estar forçando ser um charmoso ladrão que não demonstra nada disso ao longo do filme além de ser alguém que incentiva as pessoas do jeito certo.

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Um gostoso filme de fim de semana na locadora

A Netflix cada vez mais vem se mostrando a substituta das locadoras de filmes, ainda que não exatamente do jeito que esperava. Apesar de algumas produções realmente grandiosas, boa parte de seu conteúdo original tem uma aura de filme que se alugava no fim de semana, devolvia na segunda-feira achando divertido e nunca mais pensava nele.

Lift: Roubo nas Alturas é assim. É divertido, tem bons momentos, não é perfeito, mas serve exatamente o seu propósito de entreter o espectador por 1h45. Às vezes, é só isso que nós queremos. Se eles quiserem fazer mais desses e usando esse mesmo elenco, eu não acharia ruim (mas tem que melhorar esse Kevin Hart aí).

Lift: Roubo nas Alturas estreia exclusivamente na Netflix no dia 12 de janeiro.

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