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Dia de São Sebastião terá missas, procissão e cozido; confira a programação | Rio de Janeiro


No dia de São Sebastião será realizada procissão às 16h na Igreja dos CapuchinhosDivulgação/ Basílica de São Sebastião

Rio – Padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, São Sebastião receberá neste sábado (20) homenagens e festas pela capital em cerimônias religiosas e populares. São Sebastião é um dos santos mais estimados do Brasil, com cerca de 450 igrejas com seu nome e 62 cidades apadrinhadas pelo mártir. Para a resistência das religiões de matriz africana, o padroeiro carioca foi sincretizado no orixá Oxóssi e nas entidades caboclo na umbanda. Escolas de samba apadrinhadas pelo santo também preparam festa.

Na Basílica de São Sebastião, na Tijuca, Zona Norte, também conhecida como Igreja dos Capuchinhos, a programação começa às 5h, com confissões e a primeira das 15 missas do dia, além da tradicional procissão até a Catedral Metropolitana, com saída prevista para as 16h e passagem pelas principais ruas do Centro. A missa das 9h será celebrada pelo cardeal Dom Orani Tempesta.

A festa terá a venda de garrafas com água mineral. Caso os fiéis desejem levar água benta para casa, basta que se dirijam aos frades capuchinhos para a benção. Barracas oferecerão lanches e também artigos religiosos na área externa. A imagem do santo será exposta para contemplação, orações, pedidos e agradecimentos.

Tradicional procissão sairá às 16h da Igreja dos Capuchinhos até a Catedral Metropolitana - Divulgação/ Basílica de São Sebastião
Tradicional procissão sairá às 16h da Igreja dos Capuchinhos até a Catedral MetropolitanaDivulgação/ Basílica de São Sebastião
A Igreja dos Capuchinhos espera receber 40 mil pessoas neste sábado. Frei Jorge de Oliveira, reitor e pároco do Santuário Basílica de São Sebastião, afirma que os fiéis procuram a festa para buscar bênçãos, proteção e força para esse novo ano e que São Sebastião está envolvido no jeito de ser do povo carioca.

“A festa de São Sebastião evoca toda uma história. Em 1567 houve uma das batalhas, da Baía de Guanabara, quando fora invocada a presença espiritual de São Sebastião. Foi construída, no antigo Morro do Castelo, a primeira catedral dedicada ao santo. A história aqui no Santuário Basílica é uma continuidade de todas as origens ligadas à ação de São Sebastião”, disse.

O santo, acrescentou, tem importância histórica e referencial para a cidade do Rio de Janeiro. “Ele está nesse imaginário de fé, do jeito de ser do carioca: expressivo, alegre, que expressa sua arte, riqueza e espiritualidade. A gente vem buscar o encontro com Jesus, sobretudo nos momentos tão difíceis que vivemos”, finalizou.

A preparação para a grande festa na Igreja Católica começou no dia 7 de janeiro, quando a imagem do padroeiro começou a percorrer, por treze dias, diversas regiões da cidade: visitou rádios, igrejas, favelas, casa geriátrica, bombeiros, polícias, prefeitura, hospitais, Degase, Inca, barcas, Mercadão de Madureira, Palácio Guanabara, Detran e TVs.

Dom Orani explicou, em coletiva de imprensa no Cristo Redentor nesta sexta-feira (19), que a imagem é uma réplica da original e histórica, que chegou com a fundação da cidade, e está na Igreja dos Capuchinhos.

“São Sebastião, além da parte católica, também é cantado em prosa e verso no Rio de Janeiro. Faz parte da nossa cultura e da nossa vida. Para nós, cristãos, é um grande homem de Deus que viveu a fé em tempos hostis”, afirmou o cardeal. Dom Orani lembrou que o tema deste ano para os festejos é “A oração é a fortaleza de São Sebastião”.

“Também vivemos tempos difíceis, cheio de problemas, com intolerâncias, graves doenças, além das guerras que acontecem fora e dentro (do país), as guerras urbanas. O convite é que possamos viver santamente com São Sebastião no meio dos problemas todos. Baseado na oração, que é o tema desse ano, nunca desanimarmos de ter esperança de que podemos fazer diferente e anunciar paz, justiça e fraternidade”, declarou o arcebispo do Rio.

Para aqueles que forem ao Santuário Basílica de carro, a igreja recomenda o estacionamento na Rua Alberto de Sequeira, 29, que dá acesso direto ao templo na Rua Haddock Lobo, 266, próximo à estação de metrô Afonso Pena.

Na Paróquia São Sebastião, em Quintino, a festa começa às 6h45 com uma alvorada solene. Haverá missas às 7h, 8h30, 10h, 11h30, 16h e 19h. Uma carreata vai percorrer as ruas do bairro às 14h. Às 17h30 será a vez da procissão. Na igreja, que fica na Rua Nogueira, 25, haverá café da manhã, almoço, barracas com artigos religiosos, brechó comidas e bebidas.

Já na Ilha do Governador, a Paróquia São Sebastião, na Praia de Olaria, Cocotá, prepara uma festa com música ao vivo e sorteio de prêmios, como Smart TVs, bicicleta e microondas, entre outros eletrodomésticos, além de missas temáticas, procissão às 17h e missa campal 18h. Haverá almoço com carne ou frango assados e guarnições. 

Homenagem de escolas de samba

O Paraíso do Tuiuti, em São Cristóvão, vai homenagear o padroeiro da escola neste sábado com um cozido na quadra no Campo de São Cristóvão, 33, Zona Norte do Rio. A entrada, de R$ 20, inclui o cozido liberado a partir das 14h. Todos os segmentos da azul e amarelo de São Cristóvão vão se apresentar, além da União da Ilha do Governador, Chacal do Sax e Marquinhos Sensação. Na abertura da festa, haverá celebração de uma missa para o santo padroeiro da agremiação. 

“O nosso cozido é um agradecimento a tudo que São Sebastião nos faz. É o nosso padroeiro que nos protege e olha pelos nossos caminhos. Nada mais justo do que fazer essa homenagem no dia dele. Quem for devoto, pode celebrar conosco”, disse o presidente do Tuiuti, Renato Thor.

O santo também é padroeiro da Estação Primeira de Mangueira, que preparou um “Xirê de Oxóssi no Terreiro da Mangueira”. Às 10h, haverá saudação para Oxóssi e café da manhã com frutas com entrada grátis. Às 13h haverá festa da ala dos compositores e abertura da roda de Enzo Belmonte e banda. A entrada é R$ 20 e o cozido, R$ 40. 

A Portela, de Oswaldo Cruz e Madureira, vai festejar com um “Viradão do Padroeiro”. Durante a madrugada, a agremiação celebrará a alvorada. O evento terá 14 horas de duração, com a presença de Xande de Pilares e Leci Brandão. À noite, haverá ensaio da escola e apresentação da coirmã Mangueira. 

Sincretismo com Oxóssi

Mãe Mônica de Oyá, dirigente da Casa Espírita Irmãos de Caridade, conhecida como Grupo Irca, em Piedade, na Zona Norte, entende que a data é totalmente representativa para sua casa de umbanda. São Sebastião foi sincretizado em Oxóssi no Rio de Janeiro, já na Bahia o sincretismo do orixá caçador é com São Jorge.

“O sincretismo é forma de resistência. Toda religião afro é pautada em resistência porque foi e continua sendo açoitada. O sincretismo traz uma força. Oxóssi é caçador. Aquele que busca a mudança. Caça somente o necessário. Oxóssi é fartura de vida, não só de dinheiro. Se você está integrado com a natureza nada te falta”, afirma a mãe de santo. No dia 20 de janeiro, Mãe Monica vai realizar um ritual fechado de lavagem da cabeça dos médiuns com ervas. No dia 22, haverá ritual aberto ao público.

Pai Celinho de Obaluaê, do Ilé À balúwáiyé Jagun, no bairro Centenário em Caxias, explica que sua casa provém do Terreiro do Gantois, na Bahia, onde Oxóssi é sincretizado com São Jorge e, por isso, em sua casa de Candomblé de Keto, Oxóssi é celebrado no feriado de Corpus Christi. No dia 20 de janeiro, há uma reverência aos caboclos, acrescenta o Pai Celinho.

“Na umbanda, o culto é aberto às entidades, que são espíritos que já viveram entre nós. O caboclo é considerado Caboclo de Pena, que são os indígenas. Viveram no Brasil e, evoluídos, voltaram à Terra para ajudar as pessoas através desse espaço religioso chamado de Umbanda. As casas de candomblé que cultivam culto ao caboclo também podem fazer celebrações nesta data no Rio de Janeiro”, contou.

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