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Djavan: 75 anos | Itaú Cultural

Nascido em 27 de janeiro, há 75 anos atrás, em Maceió, Djavan é dono de uma versatilidade musical que viaja do samba ao soul, ao funk e ao flamenco, expandindo as fronteiras da música popular brasileira (MPB). Seu primeiro contato com a música se deu no convívio com a mãe, Virgínia, e suas colegas lavadeiras, que entoavam cantos em meio ao trabalho, encantando o pequeno menino – à época com 5 anos. Em casa, era influenciado pelas músicas de Orlando Silva, Jackson do Pandeiro, Ângela Maria e Luiz Gonzaga, entre outros artistas. Nesse caldo musical, compartilhava um sonho com a mãe: ser cantor de rádio.

O jovem Djavan vivia entre o sonho da música e o do futebol. Desde os 11 anos, jogava em campos de várzea em Maceió e, entre os 16 e os 17 anos, chegou a jogar pelo Centro Sportivo Alagoano, o CSA. No entanto, mesmo ele sendo promissor nos gramados, venceu o recém-descoberto instrumento: o violão. De Maceió, o músico partiu rumo ao Rio de Janeiro em busca do sonho, estabelecendo-se como crooner de boates e, por meio do produtor musical João Mello, passou a cantar na trilha sonora de novelas da Globo, como Os ossos do barão (1973) e Gabriela (1975).

Seu primeiro álbum, A voz, o violão, a música de Djavan, viria só em 1976, com músicas que se tornariam clássicos da MPB, como “Flor de lis” e “Fato consumado”. Com seu segundo disco, homônimo, de 1978, Djavan se consagrou como compositor, tendo uma de suas músicas, “Álibi”, gravada naquele mesmo ano por Maria Bethânia. As regravações por outros artistas são, inclusive, um aspecto forte da obra de Djavan, com suas composições ecoando nas vozes de Elis Regina, Gal Costa, Caetano Veloso, Roberto Carlos e muitos outros nomes.

Nos anos 1980, lançou o disco Seduzir (1981), que venceu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), e mudou da gravadora Odeon para a CBS, que investiu forte na internacionalização do artista, culminando na ida de Djavan para Los Angeles (Estados Unidos), onde gravaria seu próximo álbum, Luz (1982), que contou com produção de Ronnie Foster e participação de Stevie Wonder na faixa “Samurai”. A exemplo dos álbuns anteriores, músicas como “Sina”, “Açaí” e a própria “Samurai” se tornaram sucesso absoluto em sua carreira e na história da MPB.

Também em Los Angeles, gravou o disco Lilás (1984), com forte influência da música pop eletrônica, sem deixar de lado sua experimentação, como no baião pop da música “Canto da lira”. Essa década repleta de sucessos se encerraria com o lançamento de Djavan (1989), disco que trouxe a obra-prima atemporal “Oceano” – o álbum seria relançado internacionalmente no ano seguinte, com o nome Puzzle of hearts, trazendo versões em inglês de algumas das músicas.

A criatividade, a inventividade e a versatilidade de Djavan se cristalizaram na década de 1990, sob influência do jazz, do soul e do funk. Coisa de acender (1992) apresentou músicas como “Linha do Equador”, composta em parceria com Caetano Veloso, e “Se…”. A década também ficou marcada pelo primeiro disco produzido, arranjado e composto inteiramente pelo cantor: Novena (1994).

A década de 2000 foi inaugurada pelo primeiro Grammy Latino do músico, prêmio que ele voltaria a ganhar em 2011, 2015 e 2016. Sua independência musical, iniciada com Novena, viu seu ápice com a fundação, em 2004, da gravadora Luanda Records, pela qual lançou os álbuns Vaidade (2004), Na pista, etc. (2005), Matizes (2007), Ária (2010) – primeiro álbum de Djavan focado na interpretação de outros compositores –, Rua dos amores (2012), Vidas pra contar (2015), Vesúvio (2018) e D (2022). 

Para celebrar a carreira de um dos compositores mais inventivos da música brasileira, a redação do Itaú Cultural (IC) montou uma playlist com sucessos do artista e regravações memoráveis de suas composições. Confira abaixo ou em nosso perfil no Spotify.

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