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documento detalha como bilionário recrutava meninas em rede de tráfico sexual

  • Contexto: Bill Clinton, Donald Trump e Príncipe Andrew são citados em documentos judiciais relacionados a Jeffrey Epstein
  • Tráfico sexual, presentes de luxo e visita de famosos: Como era a ilha em que Jeffrey Epstein explorava menores

No processo, há o depoimento do detetive Joseph Recarey, que atuou em um caso anterior contra o magnata nos anos 2000. Ao todo, ele disse que 30 mulheres afirmaram ter feito massagens e trabalhado para Epstein. Algumas, inclusive, recebiam pagamentos para “recrutar” outras amigas, a maioria com menos de 18 anos e ainda no ensino médio.

Os arquivos judiciais foram tornados públicos por ordem de uma juíza. Eles fazem parte de um processo contra a socialite britânica Ghislaine Maxwell, conhecida por sua associação com o bilionário. Com cinco acusações de tráfico sexual, ela foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão, além de uma multa de US$ 750 mil (R$ 3,6 milhões).

Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein: ela foi condenada por tê-lo ajudado a abusar sexualmente de menores — Foto: AFP
Ghislaine Maxwell e Jeffrey Epstein: ela foi condenada por tê-lo ajudado a abusar sexualmente de menores — Foto: AFP

Grande parte do material divulgado nesta semana, no entanto, já havia sido revelado durante o julgamento dela. O processo civil foi movido em 2015 por Virginia Roberts Giuffre, uma mulher americana que disse ter sido abusada sexualmente por Epstein quando era menor de idade. Ela afirmou, também, que Maxwell ajudou no abuso.

A denúncia de Giuffre vai ao encontro do que disse o detetive Recarey. Segundo ele, Maxwell estava diretamente envolvida no processo de recrutamento das meninas. O detetive declarou que apenas duas das jovens tinham experiência em massagem — e, esclareceu, “quando elas iam realizar uma massagem, era para a gratificação sexual [de Epstein]”.

O detetive também relatou que Maxwell recrutou “de 30 a 33” meninas, e indicou que “fazer uma massagem” era, na verdade, um “código para algo a mais”. É o que também afirmou outra acusadora, cujo nome permanece censurado. Em depoimento de 2016, ela disse que, quando tinha entre 15 e 17 anos, foi paga para fazer massagens, mesmo sem ter experiência.

Ela contou ter presumido que a atividade “não envolvia nada sexual”, mas disse que sua suposição estava errada. “Eu simplesmente estava lá e, de repente, algo horrível aconteceu comigo”, declarou ela sobre sua experiência com Epstein, acrescentando que “não era para ser sexual, mas foi”. A mesma pessoa disse que o acusado pedia para ela levar outras alunas do ensino médio para a casa dele, e que recebia pagamentos quando estava na mansão, mesmo se não fizesse nada.

Políticos, empresários e famosos

Os documentos, incluindo os que ainda devem ser divulgados, devem conter quase 200 nomes de pessoas ligadas a Epstein, sendo alguns dos acusadores do bilionário, empresários proeminentes e políticos. Ser nomeado nesses arquivos, porém, não significa necessariamente que alguém tenha sido acusado ou cometido alguma irregularidade.

Príncipe Andrew e o magnata Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução
Príncipe Andrew e o magnata Jeffrey Epstein — Foto: Reprodução

Em dezembro, a juíza Loretta Preska decidiu que não havia mais justificativa legal para ocultar os nomes de mais de 150 pessoas mencionadas no processo. Nesta quinta-feira, os registros revelados continham referências ao ex-presidente dos EUA, Bill Clinton, e ao príncipe Andrew, do Reino Unido. Este último chegou a ser acusado de abuso sexual, mas fez um acordo com a suposta vítima em 2022.

Os novos materiais também incluem a sugestão de um advogado de Giuffre de que o ex-presidente Clinton “poderia ter informações” sobre as atividades de Maxwell e Epstein, já que viajou com eles. À BBC, Clinton reconheceu ter sido um associado de Epstein e voado no jato particular do magnata, mas negou qualquer conduta indevida.

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