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Filosofia em cartaz – O Perobal

Quem nunca ficou incomodado com uma cena, um personagem ou um desfecho de um filme? Quem nunca saiu chorando, rindo ou perplexo de uma sala, ainda sob o impacto do que acabou de ver? Todas estas reações às obras da sétima arte se assemelham àquelas provocadas pela realidade, pelo cotidiano, e que ganham a atenção dos filósofos.

Esta é uma das premissas do projeto “Ciclo de Cinema e Filosofia”, coordenado pelo professor Charles Feldhaus (Departamento de Filosofia). Entre seus objetivos, está promover o acesso ao conhecimento filosófico através dos filmes ou trechos, seguidos de debates em torno dos mais variados temas de interesse da sociedade contemporânea, como o tempo, as relações humanas, a saúde, a tecnologia, igualdade, e a própria arte.

Oficialmente, o projeto existe há um ano, mas a utilização de filmes como recurso pedagógico é uma prática que Charles desenvolve há muitos anos. Bacharel e licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2002), foi lá também que realizou suas pesquisas de Mestrado e Doutorado, na área de Ciência Política, campo em que ministra aulas na UEL. O Pós-Doutorado veio depois, na Alemanha (2015).

O primeiro Ciclo de Cinema e Filosofia foi em 2017, e até aqui foram aproximadamente 20 edições, e nem todas dentro da UEL. Não raro, para conseguir o filme pretendido, o professor Charles precisou adquirir a obra, comprando-a no YouTube, por exemplo. Toda exibição é seguida de um debate com participação de um convidado, não necessariamente um filósofo, mas alguém que possa contribuir com as discussões.

A oficialização da atividade como projeto de extensão vem ao encontro da creditação da extensão na UEL, por isso o professor conta com a colaboração de outros professores, da UEL e de outras instituições, assim como de estudantes que, segundo ele, terão bastante trabalho pela frente: além de participar das sessões e dos debates, produzirão materiais de apoio e até teóricos sobre os filmes e temas do Ciclo, além do conteúdo para redes sociais.

“Como arte, o cinema tem o poder de mexer com a imaginação humana, com a maneira de as pessoas verem as coisas”, argumenta o professor Charles.

Para isso, Charles diz que conta com a participação da professora Andrea Cachel, que trabalha com produção textual. Atualmente, ela desenvolve uma pesquisa pós-doutoral sobre Cinema e Filosofia. O segundo docente participante é o professor Marcos Rodrigues da Silva, coordenador de extensão do Departamento de Filosofia. Um dos objetivos do coordenador é a produção de vários e-books, com resenhas dos filmes, artigos, transcrição de conferências, entre outros materiais.

Charles Feldhaus é o coordenador de Pós-Graduação do Departamento e tem orientandos com pesquisas sobre Cinema e Filosofia em andamento. Para ele, como arte, o cinema tem o poder de mexer com a imaginação humana, com a maneira de as pessoas verem as coisas, enxergar o mundo. “O cinema impacta. Ele choca, muitas vezes”, afirma. Ao questionar um enredo, um comportamento de um personagem, o público questiona a própria realidade. “Isto atua muito no nível na intuição”, expõe o professor.

Em cartaz

Entre os filmes já exibidos no Ciclo, o professor cita “As sufragistas” (Inglaterra, 2015); “Os últimos dias de Imannuel Kant” (França, 1993); “Selma: uma luta pela igualdade” (EUA, 2014); “Ato de esperança” (Inglaterra, 2017); “Cobaias” (EUA, 1997); “O destino de uma nação” (Inglaterra, 2017); “Gattaca” (EUA, 1997); “Apocalipse Now” (EUA, 1977); “O povo contra Larry Flint” (EUA, 1996). Charles destaca o filme de estreia: “Kramer x Kramer” (EUA, 1979).

Até agora, os debates têm sido online, mas está nos planos do coordenador promover um encontro presencial. Normalmente, as discussões duram de uma hora e meia a duas horas, com dezenas de participantes na audiência. E a ideia é realizar três sessões, uma por mês, neste trimestre (maio/junho/julho), um deles presencial. Por outro lado, o projeto já fez debates em outras instituições, como a USFC, a PUC/LD e a Unicesumar/LD, confirmando a parceria de professores colaboradores destas universidades. Como a professora Andrea faz seu Pós-Doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ela conseguiu um debate por lá. O filme foi “Bacurau” (Brasil, 2019) e a conversa está no Facebook.

Atuação dos estudantes

Para Charles, além de ampliar o conhecimento filosófico e atender às exigências institucionais sobre atividade extensionista (AEX), o projeto oportuniza aos estudantes participantes uma série de ações de aprendizado, da organização dos encontros à produção de conteúdo para redes sociais. O professor sente o engajamento dos alunos, que demonstram tantas habilidades quanto são as ações a serem praticadas.

O projeto conta com mais de 20 estudantes de graduação, não apenas de Filosofia, 5 de pós-graduação e 1 orientando de Iniciação Científica Júnior, que apresentou sua pesquisa sobre Cinema e Filosofia no Encontro Anual de Iniciação Científica (EAIC) do ano passado.

Os e-books ainda estão no horizonte do projeto, mas o professor já o divulgou em palestras e eventos escolares. Aliás, duas escolas de Londrina já exibiram filmes seguidos de debate. Levar Cinema e Filosofia a outros níveis de ensino faz parte dos objetivos do projeto. Charles é membro da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina desde 2022 e já levou o tema até lá.

Quanto às redes sociais, o projeto está no Facebook, YouTube e Instagram (@cinemaefilosofia.uel).

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