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REVIEW | Prince of Persia: The Lost Crown é uma transformação competente da série

REVIEW | Prince of Persia: The Lost Crown é uma transformação competente da série
Créditos: Divulgação/Ubisoft

Prince of Persia: The Lost Crown representa a volta da famosa série da Ubisoft após ela ter ficado mais de uma década na “geladeira” da empresa. Em vez de apostar em um retorno ao passado formado por uma bem recebida trilogia em 3D, a desenvolvedora decidiu seguir um caminho bem diferente — e com protagonista totalmente novos.

Em vez das aventuras tridimensionais do início dos anos 2000, a companhia decidiu apostar no gênero Metroidvania. Isso se traduziu em uma aventura com perspectiva bidimensional que traz uma grande ênfase na exploração e na descoberta de caminhos, cujo acesso geralmente está associado ao desbloqueio de novas habilidades.

Mas será que essa mudança de estilo e a aposta em um novo protagonista são suficientes para que Prince of Persia volte a ser um nome relevante? Ou será que é melhor deixar a aventura de lado e esperar enquanto a empresa francesa termina seu remake de Sands of Time? A resposta você descobre em nosso review.

Prince of Persia: The Lost Crown é um novo caminho

Algo que deve ficar claro desde o começo é que Prince of Persia: The Lost Crown não é uma sequência de nenhum jogo anterior, tampouco tem o objetivo de substituir ou apagar o passado. A Ubisoft sequer considera esse como um reboot da série, apontando a aventura somente como um caminho diferente que pode continuar sendo explorado no futuro.

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Foto: Divulgação/Ubisoft

Caso você considere a posição da empresa e consiga deixar de lado comparações com os títulos anteriores, o que vai encontrar é um jogo de plataforma e ação bastante honesto e competente. O título não reinventa o gênero Metroidvania, mas se encaixa perfeitamente bem nele e sabe o que fazer para prender a atenção do início ao fim.

Na aventura, somos apresentados a Sargon, um guerreiro que ganhou fama por deixar destruição e ruína por onde passa. Ele é parte de um grupo conhecido como Imortais, que representa a última luz de esperança em uma Pérsia marcada por desastres naturais e tentativas de invasões inimigas.

O título não reinventa o gênero Metroidvania, mas se encaixa perfeitamente bem nele

Após uma batalha bem-sucedida contra um exército invasor, ele e seus companheiros se deparam com uma possível traição e o rapto do jovem príncipe. Agora, cabe a eles ir até o famoso Monte Qaf para tentar resgatar o herdeiro do trono. Chegando lá, eles descobrem que as maldições e paradoxos temporais que marcam o local podem acabar sendo adversários difíceis demais de superar.

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Foto: Divulgação/Ubisoft

Tratando de profecias, traições e viagens no tempo, a trama de Prince of Persia: The Lost Crown se mostra interessante, embora tenha se desenvolvido menos do que eu esperava. Alguns encontros e resoluções parecem apressados, mas, ao mesmo tempo, há um bom desenvolvimento dos personagens centrais e de suas motivações.

Da mesma forma, a temática do Monte Qaf, seus desafios temporais e deuses que habitam o lugar são bem elaborados, e vale a pena conhecer um pouco mais sobre eles. Só gostaria que a maior parte da trama de fundo não fosse contada através de documentos, já que sua leitura acaba contribuindo para quebrar um pouco o ritmo geral da aventura.

O gameplay é rei

Enquanto a trama do jogo é competente, o que prende mesmo na aventura é seu gameplay. A Ubisoft conseguiu criar um título bastante gostoso de jogar e que traz comandos que respondem muito bem em todos os momentos. O aprendizado de novas habilidades é frequente, e quase todas garantem meios de facilitar a navegação e repensar algumas estratégias anteriores.

A desenvolvedora também foi inteligente ao deixar as mais úteis delas (como o pulo duplo) para o fim da aventura, evitando assim que o título se tornasse excessivamente fácil. No momento em que você sente que já dominou os ambientes e atalhos disponíveis, a aventura se aproxima do fim. Isso colabora para a sensação de que passamos por uma jornada que tornou Sargon realmente mais poderoso do que era no começo.

O combate também é competente, embora não exija a exploração de toda a sua complexidade. Durante a maior parte da aventura, Sargon vai contar com suas lâminas duplas, um arco (que se transforma em um chakram) e com alguns combos básicos para derrotar seus inimigos. Um sistema de parry também garante contra-ataques, contanto que você saiba ativá-lo no tempo adequado.

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Foto: Divulgação/Ubisoft

Mais para frente, o protagonista também adquire algumas habilidades de controle de tempo que auxiliam no combate, mas não são essenciais. O que mais vai mudar a maneira como você vai jogar são os diferentes amuletos coletados. Cada um traz um efeito diferente e exige uma quantidade específica de espaços para ser usado — que pode ser ampliada descobrindo itens escondidos pelo cenário.

Esse sistema traz bastante flexibilidade para Prince of Persia: The Lost Crown, permitindo que estilos de jogo diferentes funcionem igualmente bem. No entanto, dominar o básico sempre é o melhor jeito de sobreviver: depois que você aprende o padrão de cada inimigo, suas janelas de parry e quando é preciso desviar, é difícil se ver derrotado.

O mesmo se aplica com os chefes que, infelizmente, variam um pouco de qualidade. Enquanto a maioria deles é interessante e traz bons designs de combate, outros são um pouco cansativos e só representam verdadeiras “esponjas de dano”. Nesses casos, só é possível morrer por descuido ou pelo desconhecimento completo de seus padrões.

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Foto: Divulgação/Ubisoft

Para essas situações, funciona muito bem o sistema de dificuldade ajustável do jogo, cuja existência já havia sido elogiada em nossa prévia. Com ele, você pode mudar a qualquer tempo a resistência de adversários (e de Sargon), questões como dano de queda e o quão punitivos alguns desafios são.

Enquanto o modo de dificuldade padrão é bem equilibrado, recomendo experimentar com as opções disponíveis para descobrir qual é a configuração que mais funciona para você. Você pode inclusive aumentando a intensidade do desafio, indo além do nível mais intenso sugerido pela Ubisoft.

Prince of Persia: The Lost Crown vale a pena?

Após ter a chance de explorar o novo game desenvolvido pela Ubisoft, devo afirmar que sai da experiência positivamente surpreso. Enquanto a prévia a que tive acesso em 2023 já tinha sido bastante positiva, a versão final conseguiu superar expectativas ao se mostrar uma aventura bem equilibrada e com uma duração boa.

Explorando o que era possível próximo ao caminho principal, cheguei ao final da história com aproximadamente 18 horas de gameplay e 72% do mapa explorado. Me restaram algumas missões secundárias para terminar — como alguns desafios de plataforma que me fizeram querer arrancar os cabelos — e algumas poucas áreas secundárias que se abriram próximo aos momentos finais.

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Foto: Divulgação/Ubisoft

Apesar de o game em geral ser bem competente e apresentar um ótimo desempenho no PC, ele não vem sem suas ressalvas. Mais de uma vez, me vi preso ao cenário durante desafios de plataforma ou entrei em áreas que não foram carregadas, o que resultado na perda de algum progresso. No entanto, o principal pecado foi um bug que descaracterizou completamente uma das principais cenas de corte do jogo — que, felizmente, já havia visto inteiramente na prévia.

Enquanto esses problemas foram suficientes para serem notados, eles não foram constantes o bastante para estragar a experiência. Em geral, Prince of Persia: The Lost Crown é um jogo bastante competente e agradável, que serve como um ótimo ponto de partida para o que o mundo dos games reserva para 2024.

Prince of Persia: The Lost Crown está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S e Nintendo Switch

Jogamos o game no PC com um código fornecido pela Ubisoft.

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