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Vida do presidente do Irã e de chanceler em ‘risco’ após ‘queda’ de helicóptero em montanha, diz agência

Uma fonte não identificada disse à agência Reuters que a vida do presidente do Irã, Ebrahim Raisi, e do ministro de Relações Exteriores, Hossein Amirabdollahian, estão “em risco” depois da “queda” de um helicóptero do comboio presidencial em uma região de montanha perto da fronteira com o Azerbaijão sob neblina pesada. Até agora, a mídia estatal iraniana havia dito que o helicóptero de Raisi havia feito um “pouso forçado”.

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O ministro do Interior do Irã, Ahmad Vahidi, disse que “várias equipes de resgate” ainda procuram o helicóptero. Em declarações à televisão estatal iraniana, Vahidi acrescentou que levará “tempo para chegar ao local” do acidente devido às “más condições meteorológicas e ao nevoeiro na área”.

— As equipes de resgate estão fazendo seu trabalho. Esperamos que isso seja feito o mais rapidamente possível — acrescentou.

Um porta-voz do Crescente Vermelho disse que três resgatistas que tentavam chegar ao helicóptero estão desaparecidos. Segundo o porta-voz, a operação de busca e resgate vai desacelerar já que o tempo deve ficar “severamente frio” em breve, com mais previsão de chuva.

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Raisi viajava pela província iraniana do Azerbaijão Oriental, com a TV estatal descrevendo a área da queda como sendo perto de Jolfa, uma cidade na fronteira com o Azerbaijão, onde esteve neste domingo para inaugurar uma barragem ao lado do presidente azerbaijano, Ilham Aliyev. A barragem é a terceira que as duas nações constroem no rio Aras.

Na rede X (antigo Twitter), Aliyev disse estar “seriamente preocupado” depois de ouvir sobre a queda do helicóptero de Raisi: “Nossas orações a Deus Todo-Poderoso estão com o Presidente Ebrahim Raisi e sua delegação acompanhante”, afirmou, acrescentando que o Azerbaijão está pronto para fornecer qualquer apoio que seja necessário ao Irã.

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Ultraconservador, Raisi, de 63 anos, é presidente da República Islâmica desde junho de 2021, sucedendo ao moderado Hassan Rouhani após uma vitória que pôs todas as instituições políticas importantes do país sob o controle da chamada linha dura do regime.

Acusado por muitos iranianos e ativistas de direitos humanos de ter um papel em execuções em massa de prisioneiros políticos nos anos de 1980, Raisi nasceu em 1960 em Mashad — segunda maior cidade do Irã, na região nordeste, e lar do santuário xiita mais sagrado do país — e perdeu o pai, que era clérigo, quando tinha apenas cinco anos. Aos 15, o hoje presidente, que veste o turbante negro que o identifica sob a tradição xiita como um descendente do profeta Maomé, seguiu os passos do genitor e entrou em um seminário na cidade sagrada de Qom.

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Enquanto era estudante, participou de protestos contra o Xá apoiado pelo Ocidente, que acabou por ser deposto em 1979 na Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, depois da qual ingressou no Judiciário e ascendeu cedo a cargos importantes enquanto era treinado pelo aiatolá Khamenei, que se tornou presidente do Irã em 1981.

Com apenas 20 anos, foi nomeado procurador-geral de Karaj, que fica perto da capital, Teerã. Aos 25 anos, tornou-se vice-procurador-geral de Teerã. Enquanto esteve nesse posto, atuou como um dos quatro juízes que participaram de tribunais secretos criados em 1988, que passaram a ser conhecidos como “Comitê da Morte”.

Essas cortes “julgaram novamente” milhares de prisioneiros que já cumpriam penas de prisão pelas suas atividades políticas. A maioria eram membros do grupo de oposição de esquerda Mujahedin-e Khalq (MEK), também conhecido como Organização Popular Mujahedin do Irã (PMOI).

O número exato dos que foram condenados à morte pelos tribunais não é conhecido, mas grupos de direitos humanos afirmaram que cerca de 5 mil homens e mulheres foram executados e enterrados em valas comuns não identificadas, o que constituiu um crime contra a Humanidade.

Os líderes da República Islâmica não negam que as execuções tenham acontecido, mas não discutem detalhes e a legalidade de cada caso. Embora tenha repetidamente negado seu papel nas sentenças de morte, Raisi também disse que foram justificadas por causa de uma fatwa, ou decisão religiosa, do ex-líder supremo aiatolá Khomeini.

Entre 1989 e 1994, Raisi exerceu a função de procurador-geral de Teerã, depois foi chefe da Organização da Inspetoria do Estado e vice-chefe da Autoridade Judiciária entre 2004 e 2014, quando foi nomeado procurador-geral nacional. Em 2019, foi nomeado por Khamenei para a chefia do Judiciário, cargo que ocupou até ser eleito presidente.

O cargo de presidente é a segunda posição mais poderosa do Irã, abaixo apenas da do líder supremo — decisões finais sobre política externa ou grandes temas nacionais não são tomadas pelo presidente, mas sim pelo aiatolá Ali Khamenei.

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